Os Erros Comuns que Advogados Cometem com Terrenos de Marinha

Os Erros Comuns que Advogados Cometem com Terrenos de Marinha

Este texto explora os principais erros que advogados cometem ao lidar com terrenos de marinha, destacando os riscos, as armadilhas comuns e as estratégias para evitar essas falhas, fornecendo um guia essencial para uma atuação mais segura e precisa no ramo imobiliário.
A complexidade dos terrenos de marinha e a importância de conhecê-la

Terrenos de marinha são áreas de propriedade da União que exigem um entendimento profundo de regras específicas, o que muitos advogados subestimam. Essa complexidade envolve uma legislação única, que difere significativamente da usual para outras propriedades. Ao ignorar esse aspecto, advogados acabam caindo em armadilhas legais que comprometem o andamento de processos e podem trazer prejuízos irreversíveis ao cliente.

A falta de especialização no assunto também leva ao erro de não compreender a localização exata dos terrenos de marinha, o que pode resultar em confusões com registros e demarcações. Por serem áreas administradas pela SPU (Secretaria do Patrimônio da União), é essencial conhecer as particularidades de mapeamento e registro para evitar falhas que poderiam ser evitadas com uma análise preliminar adequada.

Ignorar a necessidade de um estudo detalhado sobre os terrenos de marinha frequentemente leva ao problema de negligenciar a legislação vigente. Esse tipo de propriedade demanda um tipo de atuação precisa e cautelosa, que não pode ser realizada com conhecimento superficial. Quando advogados cometem o erro de tratar terrenos de marinha como qualquer outro tipo de propriedade, o prejuízo é inevitável, tanto para o cliente quanto para o próprio advogado.

O erro de ignorar a regularização e o processo de aforamento

Um dos erros mais comuns é a negligência com o processo de aforamento, uma medida essencial para legitimar a posse e uso de terrenos de marinha. O aforamento é um regime específico que regulariza o uso desses terrenos, transformando a posse em uma espécie de arrendamento pela União, com pagamento de taxa anual. Muitos advogados deixam de orientar seus clientes sobre essa necessidade, o que pode resultar em problemas legais no futuro.

Não esclarecer ao cliente a importância da taxa de ocupação ou foro anual também é um erro recorrente. Muitos proprietários de terrenos de marinha desconhecem essa obrigatoriedade e acabam enfrentando dificuldades financeiras e jurídicas por inadimplência. A falta de informação sobre esse encargo pode fazer com que o advogado deixe de prever o impacto desse custo na vida financeira do cliente, uma falha que pode gerar litígios.

Além disso, o desconhecimento ou negligência sobre o processo de remição do foro, que permite ao ocupante tornar-se proprietário do terreno de marinha mediante pagamento, é outro erro sério. Esse recurso oferece uma solução definitiva, mas muitos advogados acabam não informando o cliente sobre essa possibilidade, perdendo a oportunidade de oferecer uma saída estratégica para seus casos.

Subestimar o impacto das taxas e contribuições federais

Outro erro crítico é subestimar o impacto das taxas e contribuições que acompanham a posse de um terreno de marinha. Essas taxas, como o foro, a taxa de ocupação e, em alguns casos, o laudêmio, são cobradas pela União e possuem valores elevados. Muitos advogados desconhecem o cálculo e a periodicidade dessas taxas, o que acaba gerando surpresas desagradáveis ao cliente.

Quando o advogado não esclarece todos os custos associados, incluindo o laudêmio – uma taxa de transferência cobrada sempre que há venda ou transmissão de propriedade de um terreno de marinha –, o cliente pode sentir-se enganado. Esse tipo de falha é, muitas vezes, uma causa de perda de confiança e uma fonte de futuros conflitos judiciais, que poderiam ser evitados com transparência e planejamento.

Além disso, a falta de atenção com as atualizações dessas taxas e contribuições, que podem sofrer reajustes significativos, pode colocar o cliente em uma posição financeira delicada. Esse erro é especialmente prejudicial em casos de transações comerciais de grandes valores, onde o peso das taxas pode impactar severamente o orçamento do cliente. Orientação detalhada e atenção aos detalhes são essenciais para evitar tais problemas.

Negligenciar a importância da consulta à SPU

A consulta à SPU é um passo fundamental no processo de regularização e análise de terrenos de marinha. Muitos advogados cometem o erro de não verificar o status do terreno diretamente com a Secretaria, confiando apenas em registros municipais ou estaduais, o que pode causar problemas de conformidade.

A ausência dessa consulta pode fazer com que o advogado desconheça pendências financeiras ou jurídicas sobre o terreno, que podem inviabilizar transações ou comprometer a posse. A consulta permite identificar, por exemplo, se há taxas pendentes ou outros impedimentos, informações que são essenciais para garantir uma transação segura e sem surpresas.

Esse erro pode ocorrer também em virtude de uma subestimação da complexidade dos processos internos da SPU, que possuem prazos específicos e exigem um cuidado com a documentação que muitos advogados acabam ignorando. Cometer esse deslize coloca em risco a segurança jurídica de qualquer ação envolvendo terrenos de marinha.

Falha na comunicação e no alinhamento de expectativas com o cliente

Uma falha crucial é a comunicação deficiente com o cliente, que muitas vezes não entende as peculiaridades dos terrenos de marinha. Advogados que não esclarecem, de forma didática e completa, todos os detalhes e custos envolvidos deixam o cliente vulnerável a surpresas desagradáveis, como taxas inesperadas ou exigências burocráticas que afetam diretamente o uso da propriedade.

Além disso, o advogado que não alinha as expectativas do cliente desde o início do processo tende a enfrentar problemas durante o andamento do caso. Esse tipo de terreno envolve riscos e processos únicos que precisam ser esclarecidos para evitar conflitos posteriores. Explicar o impacto de cada taxa, o regime de uso e a possibilidade de perda da posse são pontos fundamentais que, se negligenciados, geram insatisfação e perda de credibilidade.

Por fim, é essencial que o advogado mantenha o cliente atualizado sobre cada passo do processo, especialmente quando envolve contato com a SPU ou mudanças na legislação. A falta de transparência e acompanhamento contínuo pode fazer com que o cliente se sinta desamparado, o que gera desconfiança e, possivelmente, o fim da relação contratual.

Desconhecer as alternativas jurídicas para resolver pendências de terrenos de marinha

Outro erro comum é a falta de conhecimento sobre as alternativas jurídicas que podem ser aplicadas em terrenos de marinha. Existem opções legais que permitem ao cliente se livrar de algumas das obrigações fiscais e administrativas, como a remição do foro e a desafetação, mas muitos advogados não conhecem ou não sugerem essas alternativas.

A remição do foro é uma medida que pode trazer tranquilidade e segurança ao proprietário, pois extingue a necessidade de pagamentos anuais à União. Advogados que não apresentam essa alternativa ao cliente deixam de oferecer uma solução valiosa e prática, especialmente para aqueles que planejam um investimento de longo prazo ou pretendem transmitir o bem a herdeiros.

Outro recurso útil é a desafetação, um processo que permite a transformação do terreno em uma área privada. No entanto, como esse é um processo complexo e que exige conhecimento aprofundado sobre a legislação vigente, muitos advogados deixam de utilizá-lo, perdendo uma chance de oferecer ao cliente uma solução definitiva. Desconhecer essas alternativas pode comprometer a resolução de problemas e reduzir o valor agregado ao trabalho jurídico.

Conclusão: A importância de uma atuação informada e especializada

Advogar em questões que envolvem terrenos de marinha é uma tarefa que demanda atenção, especialização e conhecimento específico. Os erros comuns apresentados neste artigo mostram como a falta de preparo pode prejudicar o cliente e comprometer a reputação do advogado, destacando a importância de uma atuação informada e detalhada.

Ao evitar esses erros, o advogado oferece um serviço de maior qualidade, protegido de surpresas desagradáveis e mais seguro para o cliente. Buscar conhecimento contínuo, estudar a legislação específica e manter uma comunicação transparente com o cliente são práticas que podem fazer a diferença entre uma atuação de sucesso e um processo problemático.

Portanto, é essencial que os advogados que desejam trabalhar com terrenos de marinha invistam em especialização e acompanhem as mudanças constantes na legislação, pois só assim poderão prestar um serviço realmente eficaz e evitar os erros que, como vimos, podem ser extremamente prejudiciais.